Forças de segurança estaduais reagem a ataques de André Fernandes após operação em Acopiara. Governistas apontam interesses eleitorais do bolsonarista
A atuação das forças de segurança do Ceará virou alvo de uma evidente tentativa de exploração política após a histórica operação que desarticulou uma mega plantação de maconha com cerca de 290 mil pés em uma fazenda na zona rural de Acopiara. O deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) utilizou suas redes sociais para desqualificar o trabalho técnico executado pela Polícia Civil e pelo Corpo de Bombeiros.
Diante das acusações, integrantes das forças de segurança e interlocutores do governo estadual reagiram prontamente, apontando que o parlamentar age motivado exclusivamente por interesses eleitorais e com o objetivo de desgastar a gestão da segurança pública.
Em suas recentes publicações, Fernandes gravou vídeos cavando o terreno da propriedade de forma manual para alegar que as drogas haviam sido apenas enterradas e não destruídas de acordo com a legislação. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) desmentiu categoricamente a narrativa de fraude levantada pelo deputado.
A corporação e os órgãos técnicos detalharam a legitimidade do procedimento. O Corpo de Bombeiros Militar realizou a queima controlada de toda a plantação utilizando uma metodologia padrão para grandes volumes. A técnica consiste em cavar valas profundas, incinerar a matéria vegetal em seu interior e, posteriormente, cobrir o local com terra por razões de segurança e controle ambiental. Os materiais localizados e expostos pelo parlamentar consistem em cinzas e resíduos remanescentes do processo de queima regulamentar, e não entorpecentes preservados para o comércio ilegal.
A reação governamental e dos setores da segurança pública expõe o tom eleitoreiro das investidas do deputado, que tenta capitalizar politicamente em cima de uma das maiores apreensões de entorpecentes da história do Ceará. O governador Elmano de Freitas rebateu as críticas e exigiu que o parlamentar formalize suas declarações perante a polícia, prestando depoimento oficial para apontar quais autoridades teriam supostamente falhado na condução do caso.
Enquanto a oposição tenta utilizar o episódio para desgastar a cúpula da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), defensores das forças policiais alertam que a espetacularização das investigações e a invasão de perímetros sensíveis prejudicam o andamento real dos inquéritos, servindo apenas como palco de autopromoção política na internet.

