Alexandre de Moraes mantém prisão domiciliar, mas tira armas de Bolsonaro em meio ao racha familiar entre Michelle e enteados

  • 04/07/2026

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a manutenção da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão seguiu o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou o quadro de saúde do ex-presidente e descartou a existência de “falta grave” no episódio recente em que uma pistola de sua propriedade foi encontrada com um segurança em uma blitz.


Mas o ministro do STF impôs uma dura restrição ao ex-presidente, como recolhimento total de armas. Bolsonaro recebeu um prazo de 48 horas para entregar todas as 10 armas de fogo registradas em seu nome à Polícia Federal. O arsenal listado inclui seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas.

Moraes determinou também a revogação imediata do Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente, além da suspensão de seu porte de armas. O magistrado enfatizou que a atual condição jurídica de custodiado é totalmente incompatível com a posse de armamento e alertou que qualquer descumprimento resultará no retorno imediato ao regime fechado.

Paralelamente ao revés judicial de Jair Bolsonaro, o núcleo familiar e político do ex-presidente enfrenta um racha público. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagoniza um embate direto com seus enteados, especialmente o senador Flávio Bolsonaro, após declarar abertamente que vinha sendo “maltratada” e “apunhalada” por ele devido a articulações partidárias. O desgaste culminou na renúncia de Michelle da presidência do PL Mulher.

A crise se agravou de forma contundente nas redes sociais após uma atitude inesperada da ex-primeira-dama. Ela elogiou a uma política pública de Lula. Michelle foi a público elogiar a nova Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação (MEC) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, classificando a medida como um “sonho realizado”. Por ser uma pauta histórica defendida por ela, Michelle parabenizou a comunidade surda pela conquista.

A publicação gerou fúria imediata na militância de extrema-direita e na base aliada. Lideranças e parlamentares do próprio Partido Liberal (PL) ironizaram a ex-primeira-dama, chegando a criar e espalhar figurinhas em aplicativos de mensagem que a retratavam vestindo a camisa vermelha e o boné do PT. O episódio escancara o isolamento político de Michelle perante a ala mais radical do bolsonarismo, no exato momento em que o clã tenta se reorganizar diante das restrições impostas pela Justiça ao ex-presidente.