Governistas no Ceará ainda buscam consenso nas vagas para Senado, enquanto oposição define rumos após racha no PL
Os bastidores da política cearense entraram em ritmo acelerado com a proximidade das convenções partidárias. Os dois principais blocos que disputarão as vagas ao Senado Federal começaram a realinhar suas estratégias em movimentos que envolvem pacificação de antigas disputas na esquerda e acomodação de crises familiares e partidárias na extrema-direita.
No campo governista, liderado pelo governador Elmano de Freitas (PT), ainda não há definição dos dois nomes para concorrer ao Senado, mas o principal fato político recente foi o encontro entre o senador e ministro Camilo Santana (PT) e a deputada federal Luizianne Lins (Rede). O diálogo, ocorrido em Fortaleza, sinaliza um forte movimento de pacificação.
Rompida politicamente com o núcleo de Camilo desde as eleições anteriores, o que motivou sua saída do PT após 37 anos, Luizianne aceitou o convite da federação PSOL/Rede para ser pré-candidata ao Senado. A ex-prefeita de Fortaleza tenta garantir seu nome na chapa majoritária governista, agregando densidade eleitoral e representatividade feminina ao grupo. O governador Elmano já declarou publicamente que veria a candidatura “com muita alegria”.
Apesar do clima positivo e das arestas aparadas no encontro, a composição final ainda está longe de um veredito. Há um excesso de pretendentes para apenas duas vagas: além de Luizianne, nomes de peso como o senador Cid Gomes (PSB), Eunício Oliveira (MDB), Chiquinho Feitosa (Republicanos) e Júnior Mano (PSB) continuam no páreo e tensionam as negociações.
Se na situação o tom é de reaproximação, na oposição o cenário se desenhou a partir de um racha nacional que reverberou diretamente no Ceará. A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL) anunciou uma mudança radical de rumos em sua estratégia política.
Historicamente muito ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Priscila Costa optou por deixar a aliada de lado para alinhar-se ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em comum acordo com o presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto, a parlamentar decidiu abrir mão oficialmente de sua pré-candidatura ao Senado. Com a saída de Priscila da jogada, o caminho ficou totalmente livre na oposição. O candidato oficial do PL ao Senado Federal pelo Ceará será o deputado estadual Pastor Alcides Fernandes, figura de forte apelo entre o eleitorado evangélico e conservador, e pai do deputado federal André Fernandes.

