Lula desafia secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a fazer campanha para Flávio Bolsonaro no Brasil em meio a embate sobre tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a interferência estrangeira e desafiou abertamente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a vir ao Brasil fazer campanha para seu oponente político, o senador Flávio Bolsonaro (PL). A declaração ocorreu na noite desta segunda-feira, dia 20 de julho, durante a convenção nacional do PDT em Brasília, que formalizou o apoio da legenda à campanha de reeleição do petista.”Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar meu adversário, que venha. Que monte o comitê. Pois a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia no Brasil”, afirmou Lula. O presidente reiterou que o país está de portas abertas para observadores internacionais acompanharem o processo eleitoral, mas ironizou a postura das autoridades americanas.
O desafio de Lula é o mais recente capítulo de uma escalada de tensões entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. Recentemente, o governo de Donald Trump oficializou a imposição de uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros importados pelos EUA.Marco Rubio foi a público responsabilizar diretamente o presidente brasileiro pelas sanções econômicas. Em postagens nas redes sociais, Rubio alegou que o governo do Brasil “não negociou de boa-fé” e que Lula colocou seu “próprio ego à frente de um acordo”. O ataque do secretário de Estado foi compartilhado e amplificado por Flávio Bolsonaro no Brasil para desgastar a imagem de Lula, o que motivou a reação enfática do petista.O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, classificou a postura de Rubio como “grosseira, arrogante e inaceitável”, argumentando que os EUA estão tentando politizar questões comerciais para favorecer a oposição brasileira.
Enquanto o embate político cresce no Brasil, o Palácio do Planalto aponta que a ala bolsonarista tem atuado diretamente nos bastidores de Washington para prejudicar o país. Como reflexo da forte aliança entre os republicanos e a família do ex-presidente, o governo de Donald Trump concedeu o Cartão de Residência Permanente (green card) ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.O benefício migratório foi estendido também à esposa e aos filhos do ex-parlamentar. O documento garante a Eduardo o direito de viver, trabalhar e estudar legalmente em território americano por prazo indeterminado.

