Polícia aponta que provedor internacional foi usado para enviar ameaças de morte contra vereadora de Fortaleza, Adriana Gerônimo
As investigações sobre a onda de ataques cibernéticos contra a vereadora Adriana Gerônimo (PSOL) ganharam um novo desdobramento técnico. De acordo com a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), as mensagens eletrônicas contendo graves ameaças de morte, estupro e injúrias discriminatórias foram disparadas por meio de um provedor de serviços de internet localizado no exterior.
O rastreamento técnico faz parte do inquérito instaurado pela Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin). O uso de servidores fora do país é uma tática recorrente para tentar ocultar o Protocolo de Internet (IP) dos autores e dificultar a identificação imediata pelas forças de segurança locais.
Nos últimos meses, a parlamentar enfrentou uma intensificação de ataques virtuais. Somente no último domingo, dia 12 de julho, Adriana denunciou o recebimento de um e-mail com ameaças explícitas de violência física e sexual. Segundo o relato da vereadora em suas redes sociais, o texto continha detalhes alarmantes, como descrição pormenorizada de armas de fogo que seriam supostamente utilizadas, menção explícita ao endereço residencial de Adriana Gerônimo e vazamento e citação de endereços de seus familiares próximos.
Uma nova mensagem com teor semelhante foi recebida na quarta-feira, dia 15, totalizando três ataques severos mapeados pelas autoridades em um intervalo de sete meses. O histórico de hostilidades virtuais contra a parlamentar e sua esposa já havia motivado o registro de boletins de ocorrência em dezembro de 2025, ocasião em que as mensagens apresentavam forte teor racista, supremacista e homofóbico.
O governador Elmano de Freitas (PT) manifestou solidariedade pública e determinou que as forças policiais apliquem “todo o rigor necessário” para capturar o autor dos e-mails. O chefe do Executivo classificou as investidas como um ataque direto à democracia.
O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Leo Couto (PSB), repudiou de forma veemente o teor homofóbico e machista das agressões e colocou a estrutura de proteção da Casa à inteira disposição para salvaguardar o exercício do mandato da parlamentar.
A Polícia Civil do Ceará segue realizando o cruzamento de dados digitais e cooperando com órgãos técnicos para tentar quebrar o sigilo do usuário final que operou o servidor estrangeiro. Medidas adicionais de proteção e escolta para a vereadora e sua família já foram formalizadas junto aos sistemas regionais de segurança pública.

