Sob sombra de “Sicário” e queda em pesquisas, aliados já questionam viabilidade de Flávio Bolsonaro manter candidatura à Presidência da República

  • 16/07/2026

A pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta o seu momento mais agudo de desgaste político dentro do próprio partido e entre interlocutores da direita. A revelação de uma fotografia ao lado de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia privada do banqueiro Daniel Vorcaro, deflagrou uma onda de pânico nos bastidores de Brasília.

Aliados agora exercem forte pressão de bastidores para que o parlamentar abandone a disputa à Presidência da República, temendo o surgimento de novas denúncias e investigações sobre seu envolvimento com grupos criminosos no Rio de Janeiro.

Os levantamentos mais recentes acenderam o sinal vermelho na campanha e justificam a cautela dos correligionários:Derretimento de Votos: Na última pesquisa Veja/Genial/Quaest, Flávio recuou para 14% das intenções de voto, perdendo terreno principalmente na direita não bolsonarista (onde o apoio despencou de 44% para 32%).

A rejeição ao nome do senador atingiu a marca de 57%, o pior desempenho desde o lançamento de sua postulação ao Palácio do Planalto. Em simulações de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolida uma trajetória ascendente, abrindo vantagem real fora da margem de erro em institutos como Datafolha e Quaest.

O estopim para o isolamento do senador foi a publicação da imagem com “Sicário” pelo portal ICL Notícias. O operador central da chamada “Turma” de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, faleceu em março de 2026 após sofrer uma tentativa de suicídio na prisão. A imagem enfraquece a linha de defesa construída desde maio de 2026, quando o The Intercept Brasil vazou áudios de Flávio negociando o aporte de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O registro fotográfico materializa visualmente uma proximidade que o clã tentava classificar como estritamente institucional.

A assessoria de Flávio Bolsonaro alegou que o senador “tira dezenas de fotos diariamente” e que não conhece o miliciano. A equipe de campanha chegou a levantar a tese de manipulação por Inteligência Artificial, contudo, análises técnicas preliminares indicaram baixa probabilidade de adulteração.

Lideranças partidárias de oposição já articulam representações junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é fazer com que o ministro André Mendonça cobre explicações formais do parlamentar sobre as agendas frequentes com o grupo de Vorcaro.

Diante do avanço das investigações da Polícia Federal sobre as ramificações de milícias privadas e extorsões financeiras, a cúpula do PL avalia que manter a candidatura é “inviável”. A permanência de Flávio na corrida presidencial transformou-se em uma vidraça que ameaça contaminar o desempenho do partido nas eleições gerais.