Sob o compasso da Justiça Eleitoral, Elmano de Freitas aguarda TRE para fechar chapa enquanto oposição corre risco de ter composição de chapa prejudicada
O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), decidiu adotar uma postura de cautela estratégica diante do racha jurídico que envolve a Federação União Progressistas. O chefe do Executivo estadual confirmou que anunciará nesta sexta-feira, dia 31 de agosto, o nome do candidato a vice-governador em sua chapa de reeleição. Contudo, a definição da segunda vaga destinada ao Senado Federal ficou oficialmente congelada, dependendo de uma manifestação do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).
O impasse ocorre após as direções estaduais isoladas do União Brasil e do Progressistas (PP) entrarem com uma ação judicial para anular a ata da convenção da federação, realizada no último domingo. Na ocasião, a estrutura federativa, controlada pelo bloco de oposição, formalizou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado. No entanto, os comandos individuais das duas siglas haviam deliberado, em suas próprias convenções, caminhar junto à base governista de Elmano.
Aguardando o desfecho nos tribunais, o deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil) desponta nos bastidores e não esconde o desejo de ocupar o espaço na chapa majoritária do governo. Presidente do União Brasil no Ceará, Moses tem sido um dos principais articuladores do questionamento jurídico contra a federação.
Se a Justiça Eleitoral validar a tese dos partidos governistas de que as convenções individuais devem prevalecer sobre a decisão da federação, o arco de alianças de Elmano de Freitas ganhará um robusto acréscimo de tempo de televisão e recursos do fundo partidário. É nesse cenário que o nome de Moses ganha força para a disputa majoritária.
Do outro lado do espectro político, o clima é de alerta máximo. Caso o plenário do TRE-CE julgue a convenção da Federação União Progressistas nula, a chapa de oposição encabeçada por Ciro Gomes sofrerá um desmonte estrutural imediato às vésperas do registro definitivo. Sob o risco de anulação, o ex-prefeito Roberto Cláudio (União) ficaria juridicamente impedido de concorrer ao cargo de vice-governador. Da mesma forma, o líder oposicionista Capitão Wagner (União Brasil) veria sua candidatura ao Senado Federal invalidada por falta de respaldo partidário legal.
O desembargador eleitoral Wilker Macêdo Lima, relator da ação anulatória movida pelos diretórios estaduais das siglas, marcou o julgamento para a sessão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará desta quinta-feira, dia 30.

