Dossiê de ex-sócio e apostas bilionárias de aliado cercam campanha do senador Flávio Bolsonaro a poucos dias do 1° turno

  • 30/09/2026

A cinco dias das eleições presidenciais de 2026, a campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), enfrenta uma sequência de crises. De um lado, revelações explosivas feitas por seu ex-sócio na franquia de chocolates Kopenhagen, Alexandre Santini, detalham um submundo de presentes luxuosos, festas privadas e pressões. Do outro, a Polícia Federal (PF) abriu uma nova linha de investigação contra o advogado Willer Tomaz, amigo íntimo e apontado como operador financeiro do parlamentar, por suspeita de lavagem de dinheiro após movimentar cifras bilionárias em plataformas de apostas online.

O histórico empresarial de Flávio Bolsonaro na franquia Bolsotini Chocolates e Café Ltda., que operava no shopping Via Parque, no Rio de Janeiro, voltou a assombrar o candidato. O empresário Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo do senador, reuniu um vasto acervo de mensagens de WhatsApp, áudios, fotos e notas fiscais.
O material, divulgado originalmente pelo portal PlatôBR, expõe festas privadas e orgias. Santini guardou registros de encontros sigilosos do senador com garotas de programa. O ex-sócio chegou a mostrar parte do material para a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, gerando uma severa crise familiar. Em mensagens obtidas pela reportagem, Flávio admite ter feito “muitas escolhas erradas” no passado, apelando para termos religiosos ao pedir que o ex-aliado se afastasse de sua família.

Há denúncias de presentes de luxo e caixa informal. Documentos indicam o custeio de regalias pessoais do senador por terceiros. Entre os mimos está um relógio Rolex Submariner Date de ouro branco, avaliado em R$ 305 mil, comprado em 2022 pelo advogado Alan Belaciano. Belaciano também teria bancado mais de R$ 90 mil em aparelhos de academia para a mansão de Flávio em Brasília. À época em que os gastos vieram à tona, o senador alegou tratar-se de um “empréstimo pessoal”.

A disputa entre Flávio e o ex-sócio começou após as eleições de 2022, quando a loja de chocolates foi fechada e Santini alegou ter ficado com um prejuízo de R$ 1,47 milhão. Sentindo-se abandonado, o empresário passou a cobrar a dívida em tom de ameaça. Em redes sociais e diálogos com interlocutores, Santini disparou: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”.


O dossiê também relata um suposto lobby que Flávio teria feito junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, para favorecer o cliente de um advogado parceiro. Em nota, o ministro Nunes Marques defendeu-se afirmando que atende praxe institucional de magistrados ao receber parlamentares de diferentes partidos e que isso não compromete sua isenção. O senador Flávio Bolsonaro não se manifestou oficialmente sobre as revelações do ex-sócio.

Simultaneamente ao escândalo de Santini, outro aliado de primeira hora do clã Bolsonaro atrai os holofotes da Polícia Federal. O advogado Willer Tomaz, com quem Flávio viajou aos EUA no jatinho que também petencia a Daniel Vorcaro, é alvo de uma nova investigação criminal que apura se ele utilizou jogos de cassino digital para lavar dinheiro.
A apuração começou após o próprio advogado acionar a Justiça de São Paulo contra a plataforma de apostas Blaze. Para fundamentar o processo, a defesa de Tomaz anexou um comprovante anual emitido pela operadora referente ao ano de 2025.

Os números impressionaram os investigadores:


Movimentação de Willer Tomaz na Blaze (2025)


Volume Total de Ganhos R$ 4,8 bilhões
Volume Total de Perdas R$ 4,963 bilhões
Prejuízo Líquido Consolidado R$ 163,2 milhões


Os valores bilionários refletem o giro sucessivo de apostas (créditos ganhos e imediatamente reinvestidos nas rodadas) e não necessariamente dinheiro novo depositado.
Na ação judicial, Tomaz pleiteia uma indenização de R$ 20 milhões da plataforma.