Fim das apostas online gera impacto imediato e volume de Pix cai 10% no Brasil. Redução acontece após proibição das bets pelo Governo Lula
A proibição das apostas esportivas e jogos online no Brasil gerou um reflexo imediato no Sistema de Pagamentos Instantâneos. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Banco Central do Brasil, o número de transações liquidadas via Pix registrou uma queda de aproximadamente 10% nos três primeiros dias após a publicação da Medida Provisória (MP 1.394/2026), que determinou o fim da exploração e publicidade das chamadas “bets”.
Entre o sábado, dia 26 de setembro, e a segunda-feira, dia 28, o sistema financeiro contabilizou 608,6 milhões de operações, um volume significativamente inferior quando comparado à média registrada nos mesmos dias das quatro semanas anteriores. A retração foi ainda mais expressiva quando analisado o montante financeiro: os valores movimentados somaram R$ 183,58 bilhões, o que representa uma redução de 15,5% em relação ao mesmo período da semana anterior.
O impacto da MP editada pelo Governo Lula foi observado de forma linear ao longo do fim de semana e no início da semana. No sábado, dia 26, foram registradas 229,6 milhões de transações, representando uma queda de 11% em relação à média dos quatro sábados anteriores. No domingo, dia 27, o volume caiu para 165,9 milhões de transações, uma redução de 12% na mesma base de comparação. Na segunda-feira, dia 28, o sistema computou 213 milhões de operações, um recuo de 7,4% frente às segundas-feiras anteriores.
Integrantes do Ministério da Justiça e da Segurança Pública atribuem a oscilação diretamente ao novo teto regulatório. O mercado bancário recebeu a medida de forma mista. Se por um lado há o temor de insegurança jurídica devido à revogação de licenças prévias, por outro, o setor projeta um alívio nos orçamentos familiares, uma vez que o endividamento e a inadimplência vinham sendo severamente pressionados pelos jogos de azar.
O mercado de apostas não desapareceu por completo da noite para o dia. O cronograma do governo estabelece um período de transição até o dia 5 de outubro para que os usuários realizem o saque voluntário dos fundos mantidos nas plataformas.
A partir de 6 de outubro, a Anatel iniciará o bloqueio massivo de sites e aplicativos. Paralelamente, o Ministério da Fazenda articula junto a reguladores e bancos novas ferramentas para identificar e asfixiar financeiramente as transferências destinadas a operadores clandestinos que tentem migrar para o mercado ilegal.

