Estratégia de bastidores: Como o pedido de vista no STF blinda a campanha eleitoral da crise na Corte. Após Moraes, Mendonça é novo alvo
Em uma articulação de bastidores, um grupo de ministros do STF desenhou o pedido de vista de Flávio Dino como uma reação direta às decisões do presidente Edson Fachin. A interrupção do processo que envolve o ministro Alexandre de Moraes tinha objetivos claros: ganhar tempo para costurar um julgamento unificado das investigações de Alexandre de Moraes e André Mendonça e evitar o desgaste de levar esse debate ao plenário às vésperas das eleições gerais de 4 de outubro. O pedido de vista de Flávio Dino pode durar até 90 dias, mas o prazo pode ser menor.
A articulação nos bastidores da Corte evitou uma decisão imediata no mérito do caso, funcionando como um freio para conter os potenciais impactos eleitorais do julgamento. Nos últimos dias, vazamentos seletivos vinham ocupando os noticiários com alvos específicos e um só objetivo: influenciar no debate eleitoral.
O ministro acusado de fazer uso da crise no STF para interferir na campanha eleitoral é André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar. Críticos, adversários políticos e até membros do próprio Judiciário apontam que o magistrado teria utilizado vazamentos seletivos do Caso Master e a manipulação do segredo de Justiça como instrumentos políticos para favorecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nas Eleições de 2026.
De acordo com denúncias que ganharam força nos bastidores de Brasília e na imprensa, a condução do Caso Master por André Mendonça, que investiga fraudes financeiras e crimes ligados ao banco de Daniel Vorcaro, teria sido marcada por um comportamento de “dois pesos e duas medidas”.
Relatos apontam que Mendonça manteve sob estrito sigilo informações que pudessem respingar diretamente em Flávio Bolsonaro e em importantes caciques políticos da sua base de apoio, como Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil). O intuito seria proteger o candidato do PL do desgaste público em meio à corrida eleitoral.
Paralelamente, o ministro é acusado de promover uma “quebra de sigilo cirúrgica”. A intenção seria expor documentos e relatórios parciais com o objetivo de desgastar adversários políticos, incluindo menções ao ministro Alexandre de Moraes e a figuras ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes formalizaram duras críticas ao colega. Moraes acusou Mendonça de promover um “direcionamento temático de intensidade progressiva”, forçando investigadores a buscarem elementos que validassem narrativas prejudiciais aos seus opositores.
É aguardar os próximos dias, diante inclusive do surgimento de novas denúncias envolvendo ministros do STF, após a quebra total do sigilo dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão no Supremo Tribunal Federal na próxima quarta-feira, dia 23 de setembro, sobre as acusações de irregularidade na atuação do ministro André Mendonça, deve ter uma nova rodada de confrontos entre os ministros da Corte.

