Queda de braço no STF: Zanin, Moraes e Gilmar exigem dados de celular de Vorcaro, e PF confirma liberação sob resistência de Mendonça

  • 14/09/2026

A poucos dias de um julgamento crucial, o Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma forte crise interna. Os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes acionaram diretamente a Polícia Federal (PF) para obter a cópia integral dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A corporação já confirmou que está pronta para atender à solicitação e enviar as mídias aos gabinetes. A ofensiva ocorre às vésperas da sessão do plenário marcada para esta terça-feira, dia 15 de setembro, quando a Corte decidirá se Moraes deve ser investigado por suposto envolvimento no caso Master.

A decisão de Zanin e Gilmar de intimar diretamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, contornou os canais tradicionais da corte e expôs o racha com o ministro André Mendonça, antigo relator de procedimentos do caso.Os ministros argumentam que precisam examinar todo o material bruto para formar suas convicções de forma justa antes de julgar o colega.Cristiano Zanin destacou que a própria defesa de Vorcaro já tem acesso ao espelhamento do aparelho. Para ele, restringir esses dados aos magistrados cria uma “evidente incongruência”. Gilmar Mendes sublinhou que a retenção das informações fere o princípio da colegialidade e compromete a paridade de armas entre os julgadores.

Nos bastidores e em manifestações oficiais, a postura de André Mendonça tem gerado severas críticas entre os colegas do tribunal. O ministro vinha mantendo uma cópia de segurança do celular criptografada e lacrada em seu gabinete desde março de 2026, recusando-se a compartilhá-la sob a justificativa de proteger o sucesso das investigações.Integrantes da Corte, no entanto, apontam que Mendonça atua de forma contraditória ao reter os arquivos dos colegas e continuar promovendo quebras de sigilo consideradas seletivas.

Gilmar Mendes rebateu formalmente o argumento de Mendonça de que a abertura dos dados colocaria o caso em risco, pontuando que se trata apenas de “acesso interno” por magistrados igualmente submetidos ao dever legal de sigilo. Em reação à pressão, André Mendonça enviou um ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. No documento, ele alegou que a liberação integral do celular de Daniel Vorcaro neste momento “somente contribuiria para tumultuar o julgamento”. Ele sustentou que os elementos necessários para a sessão já estão nos autos e que a inserção de novos dados adicionais às vésperas da votação desvia o processo de seu curso natural.

A temperatura interna subiu ainda mais depois que Fachin assumiu diretamente a relatoria da petição que investiga Moraes, retirando-a das mãos de Mendonça no último sábado, dia 12, em uma tentativa de organizar a condução da crise institucional que afeta a cúpula do Judiciário.