Revelações de sigilo do Caso Master apontam que ministro André Mendonça não avançou em apuração sobre Flávio Bolsonaro. Gilmar cobra que Edson Fachin assuma relatoria do caso

  • 12/09/2026

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma de suas crises institucionais mais profundas com o avanço do compartilhamento de informações do Caso Master. À medida que o sigilo dos inquéritos vai sendo revelado aos demais ministros da Corte, emergiu a descoberta de que o ministro-relator, André Mendonça, pouco ou nada avançou nas investigações centrais envolvendo supostos desvios e repasses financeiros realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro.

A revelação da lentidão de Mendonça em dar andamento às apurações que miram os desmandos da família Bolsonaro provocou uma forte reação nos bastidores do tribunal. Diante do cenário de aparente inércia, o ministro Gilmar Mendes acionou o presidente do STF, Edson Fachin, com um pedido para que ele assuma formalmente a relatoria dos desdobramentos do Caso Master.

Além de sugerir a redistribuição da relatoria para o presidente da Corte, Gilmar Mendes solicitou oficialmente o adiamento da sessão plenária da próxima terça-feira, dia 15 de setembro. O objetivo do pedido de adiamento é garantir tempo hábil para que os magistrados possam analisar detalhadamente a robusta e complexa documentação que veio à tona após a quebra e a abertura parcial dos sigilos.

O estopim para a crise decorre da forma como o sigilo vinha sendo gerido. Reportagens de veículos como a CartaCapital indicam que, ao liberar os arquivos por ordem de Fachin, Mendonça manteve sob proteção peças cruciais e sensíveis da apuração. O ministro Alexandre de Moraes, inclusive, apontou formalmente que Mendonça operou uma liberação “parcial” e “seletiva” de dados, deixando intencionalmente cerca de 180 documentos de fora para proteger determinados grupos políticos.

Essa retenção blindou, na prática, detalhes sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga transações financeiras suspeitas de R$ 61 milhões repassadas por Vorcaro para a produção do longa, cujo destino final das cifras e as tratativas diretas envolvem diretamente o senador Flávio Bolsonaro.

Com os ministros agora tendo acesso cruzado aos relatórios que antes ficavam restritos ao gabinete do relator, a percepção de que houve uma deliberada falta de ritmo na condução do processo intensificou o isolamento de Mendonça. Nos próximos dias, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir se centraliza a condução da crise e se adia o julgamento para evitar maiores desgastes institucionais à Suprema Corte brasileira.