Após decisão judicial, Coaph reestrutura diretoria e nega desvio de R$ 1 bilhão

  • 16/10/2026

A Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph) informou, em nota divulgada nesta quinta-feira, dia 15 de outubro, que mantém o seu funcionamento regular e que as atividades assistenciais, administrativas e operacionais seguem sem interrupções. A manifestação ocorre após a deflagração de uma operação de autoridades federais que investiga supostas irregularidades na instituição.

Em decisão proferida também nesta quinta-feira, a 32ª Vara Federal do Ceará garantiu à cooperativa o acesso aos atos já documentados no processo. Segundo a Coaph, o juízo reconheceu a legitimidade da instituição para acompanhar as apurações e registrou a possibilidade de a própria cooperativa ter sido vítima dos fatos investigados. A decisão apontou ainda que o Ministério Público Federal (MPF) não se opôs à linha de gestão interina adotada.

A Coaph confirmou o afastamento dos dirigentes alvos de medidas cautelares, cumprindo a determinação judicial. Em reunião extraordinária realizada no dia 9 de outubro, o Conselho de Administração nomeou por unanimidade o médico Dr. Valderi de Sousa Junior, atual presidente do conselho, para assumir interinamente a Presidência Executiva. A Tesouraria também recebeu um nome provisório para garantir a assinatura conjunta exigida pelo estatuto da entidade.

A cooperativa ressaltou que não há bloqueio judicial de suas contas bancárias e nem nomeação de interventor externo. Em comunicado, a Coaph assegurou que o calendário de pagamentos aos profissionais cooperados e os compromissos com fornecedores e contratantes serão integralmente mantidos. Fundada em 2009, a instituição conta atualmente com mais de 47 mil profissionais cadastrados.

A defesa da Coaph contestou a interpretação de que o montante de aproximadamente R$ 1 bilhão mencionado nas investigações configure desvio de recursos. De acordo com a contabilidade da entidade, a cifra reflete a movimentação financeira acumulada e o faturamento global de anos de atividade na prestação de serviços de saúde. A instituição frisou que suas prestações de contas foram aprovadas em assembleias gerais sem ressalvas.

A nota esclarece também que os bens apreendidos na operação policial, como veículos, relógios e dinheiro em espécie, não pertencem ao patrimônio da cooperativa e não foram recolhidos em suas dependências. A Coaph defendeu a individualização de responsabilidades para condutas de pessoas físicas e pediu respeito à presunção de inocência, sem generalizações que afetem a imagem da instituição.

Conduzida pelo advogado Airton Dantas, a assessoria jurídica da cooperativa informou que está à disposição da Polícia Federal, do MPF e do Judiciário para fornecer os esclarecimentos e documentos necessários à continuidade do processo.