Hugo Motta tenta empurrar votação do PL Antifacção com esvaziamento de ações da PF em investigações. Governo Federal tenta adiamento
Mesmo sem consenso entre parlamentares da base e da oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu para esta terça-feira, dia 11 de novembro, a votação do PL Antifacção, texto enviado pelo Executivo para endurecer o enfrentamento ao crime organizado. A medida opõe governo e oposição e será objeto de novas rodadas de negociação ao longo do dia em Brasília.
O relator escolhido por Motta é o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança de São Paulo. A seleção do nome e alterações sugeridas no parecer acirraram resistências na base aliada, sobretudo pelos trechos que mexiam no papel da Polícia Federal (PF).
Integrantes do Governo Federal, da Polícia Federal e do Judiciário avaliam que as mudanças feitas pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), que é ligado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Projeto Antifacção vão retirar da PF e dos tribunais superiores a condução de investigações envolvendo emendas parlamentares, lavagem de dinheiro e fluxos financeiros ligados a facções, inclusive as chamadas facções de colarinho branco.
O diagnóstico é compartilhado por diferentes alas do Executivo e por delegados da PF que analisaram o texto revisado após negociação entre Derrite e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça e Segurança Pública trabalham para adiar a votação. A equipe da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), acionou líderes partidários com o objetivo de empurrar a deliberação para outra data. A avaliação no governo é que, se o projeto for votado nesta semana, a base governista estará desfalcada, já que grande parte dos parlamentares encontra-se em Belém (PA) por causa da COP30.

