Bancos cogitam reação conjunta com Governo Lula diante da medida dos EUA em classificar facções como organizações terroristas
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas começou a provocar preocupação no sistema financeiro brasileiro e pode abrir uma nova frente de tensão diplomática entre Brasília e Washington. Segundo reportagem do Valor Econômico, bancos não descartam atuar ao lado do governo brasileiro para tentar convencer as autoridades norte-americanas a reverem a medida caso ela passe a afetar fluxos de capital e a economia nacional.
A informação revela a dimensão das preocupações existentes no setor financeiro. Embora ninguém questione a necessidade de combater organizações criminosas, cresce o receio de que a classificação adotada pelos Estados Unidos produza efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras, investimentos internacionais e operações econômicas legítimas.
Nos bastidores, a avaliação de setores políticos é que o episódio tende a reforçar o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania nacional e do respeito às instituições brasileiras. A medida anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é vista por integrantes do governo como mais um capítulo de iniciativas externas com potencial de interferir em assuntos internos do Brasil.
Ao mesmo tempo, o caso aumenta a pressão política sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve nos Estados Unidos em articulações com integrantes da direita norte-americana e apoiadores do presidente Donald Trump. Adversários do parlamentar afirmam que suas iniciativas no exterior contribuíram para ampliar o ambiente de hostilidade contra instituições brasileiras e contra interesses estratégicos do país.

