PF prende filho de Bebeto do Choró em ação contra esquema milionário de compra de votos
A Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, deflagrou uma operação e prendeu em flagrante, nesta quarta-feira, dia 24 de junho, o filho do ex-prefeito de Choró, Carlos Alberto Queiroz Pereira, conhecido como Bebeto do Choró (PSB). O jovem foi capturado pelo crime de lavagem de dinheiro.
Ao todo, os agentes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão expedidos pelo juízo da 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. A ação ocorreu no âmbito da investigação criminal conjunta contra Bebeto do Choró, que lidera a organização criminosa e continua foragido da Justiça desde dezembro de 2024.
Por conta dos crimes, ele teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) e nem sequer chegou a assumir o cargo.Quem é Bebeto do Choró e como funcionava o esquemaBebeto do Choró é apontado pelas autoridades como o chefe de uma sofisticada rede criminosa focada em fraudes a licitações, desvio de recursos públicos e corrupção eleitoral no Ceará.
Conforme as investigações da Polícia Federal, o esquema funcionava da seguinte forma: o grupo utilizava dinheiro público desviado de emendas parlamentares federais. Os recursos passavam por contratos fraudulentos com prefeituras cearenses. Estima-se que nove empresas suspeitas movimentaram cerca de R$ 455,5 milhões. Esse montante milionário era injetado ilegalmente para financiar campanhas e inflar o poder político do grupo em vários municípios. O dinheiro vivo, transportado inclusive com o apoio de agentes públicos corrompidos, servia para a aquisição ilícita de apoio de eleitores. Em áudios interceptados, o próprio Bebeto chegou a reclamar que o preço dos votos “estava muito caro”.
A investigação contra o político ganhou força a partir de denúncias feitas pela ex-prefeita de Canindé, Rosário Ximenes (Republicanos), referentes ao pleito de 2024. Em depoimento ao Ministério Público do Ceará (MPCE) ainda durante o período de campanha, ela revelou que a rede operava por meio de violentas ameaças a adversários políticos e pela farta oferta de vantagens materiais e financeiras a eleitores em troca de votos.
Os documentos apreendidos na célula de lavagem de dinheiro operada pelo filho de Bebeto serão analisados pela PF e pelo MP Eleitoral para rastrear o restante do patrimônio oculto do grupo e localizar o ex-prefeito foragido.

