Aliança de centro-esquerda homologa Lula e Alckmin à reeleição com as bandeiras da democracia e da soberania

  • 03/08/2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição presidencial. O anúncio foi feito durante a Convenção Nacional da sigla. O evento ratificou a manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa, reeditando a parceria vitoriosa firmada no pleito anterior.

A homologação da chapa foi anunciada no início do evento pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, após reuniões estratégicas com partidos aliados e movimentos sociais. A coalizão que sustentará a candidatura governista no primeiro turno reúne uma frente de sete partidos de centro-esquerda: além do PT, PCdoB e PV (que integram a Federação Brasil da Esperança), o bloco conta com o apoio formal do PSB, PDT, PSOL e Rede. O nome de Alckmin já havia sido chancelado na convenção de sua própria legenda na semana anterior.

Em seu discurso de mais de uma hora, Lula destacou que sua permanência na vida pública é movida por uma causa. “Este jovem de 80 anos que está falando com vocês vai ganhar as eleições outra vez”, declarou o presidente. Ele pontuou que o foco do próximo mandato será aprofundar as transformações estruturais do país.

O mandatário apresentou cinco compromissos principais para as diretrizes de governo caso vença a disputa: resolver em definitivo o papel e o alcance da educação nacional, criar um programa de assistência voltado à população idosa, fortalecer e investir de forma estratégica na indústria de defesa militar, garantir a preservação e exploração nacional de riquezas estratégicas e terras raras e ampliar programas estruturados para a transição energética do Brasil.

Lula também aproveitou o palanque para fazer cobranças ao Poder Legislativo. O presidente criticou o atual modelo de distribuição do orçamento federal, apontando distorções no volume de emendas parlamentares. Segundo ele, o avanço das emendas retirou a capacidade de planejamento do Executivo, sinalizando que um novo mandato exigirá um debate democrático para a recuperação das atribuições do Estado.

A convenção foi estruturada com foco em transmissões para redes sociais, priorizando pronunciamentos objetivos e forte apelo de imagem. Lideranças de destaque como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, e ministros de Estado marcaram presença. Haddad discursou classificando Lula como um “marujo experiente” para guiar o país frente a um cenário internacional de incertezas econômicas e avanço da extrema-direita global.

Geraldo Alckmin sublinhou os dados econômicos da gestão atual, apontando a expansão de 3,2% da atividade industrial nos primeiros anos de governo em comparação a retrações de períodos passados. O vice-presidente defendeu os resultados da Nova Indústria Brasil (NIB) e enfatizou que “quem não acredita na democracia não deveria nem disputar eleições”. A primeira-dama, Janja da Silva, também falou ao público, ressaltando o peso do voto feminino e as políticas de combate à violência doméstica.