Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, barra ofensiva da oposição e descarta impeachment contra Alexandre de Moraes. Denúncias ainda serão analisadas pelo Plenário do STF

  • 02/09/2026

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou formalmente que não dará andamento aos novos pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Pressionado pela ala governista e pela oposição após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF), Alcolumbre minimizou as acusações envolvendo o magistrado e afirmou que “não achou nada e não deve achar nada” que configure crime ou justifique a abertura de um processo de cassação. As denúncias de relação de proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ainda devem ser analisadas pelo Plenário do STF.

A manifestação de Alcolumbre ocorreu nos corredores do Congresso Nacional, logo após a oposição protocolar novas representações contra o ministro. O estopim para a nova crise política foi a derrubada do sigilo, pelo ministro André Mendonça, de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que sugeriam proximidade e diálogos com o gabinete de Moraes.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a viabilidade de pautar o afastamento do magistrado, o presidente do Senado esquivou-se de analisar o mérito das conversas vazadas e preferiu focar no volume total de representações guardadas na mesa da presidência.”A minha percepção é que tem 109 pedidos e isso não é normal. São 109 solicitações no Congresso a respeito dos dez ministros do Supremo de pedido de impeachment”, declarou Alcolumbre, indicando que o volume reflete uma disputa política crônica, e não necessariamente a existência de crimes materiais.

A estratégia de Alcolumbre é “deixar a poeira baixar”. O senador entende que o Poder Legislativo deve aguardar as deliberações e investigações internas do próprio STF, uma vez que André Mendonça pretende levar a discussão sobre o relatório da PF ao plenário presencial da Corte, antes de adotar qualquer medida drástica.

A postura defensiva do presidente do Senado gerou forte irritação na ala bolsonarista. Durante a sessão plenária, parlamentares como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Viana (PSD-MG) cobraram publicamente uma atitude da presidência da Casa. Viana, inclusive, protocolou o que seria a 54ª petição de impeachment especificamente direcionada a Moraes e subiu o tom, ameaçando pedir o afastamento do próprio Alcolumbre da chefia do Senado caso a denúncia seja sumariamente arquivada.

Apesar do cerco da oposição e das críticas nas redes sociais, o controle da pauta e a decisão de submeter ou não um pedido de impeachment à avaliação técnica e jurídica continuam concentrados exclusivamente nas mãos de Davi Alcolumbre. O parlamentar deixou claro que o foco do esforço concentrado do Senado no momento é a votação de pautas econômicas e sociais prioritárias, como a discussão sobre a PEC do fim da jornada de trabalho 6×1.