No Debate O POVO para Senado, Cid Gomes e Luizianne Lins questionam Capitão Wagner e Alcides Fernandes sobre falta de obras de Jair Bolsonaro no Ceará
O primeiro debate entre os principais candidatos ao Senado Federal pelo Ceará, promovido pelo Grupo de Comunicação O POVO nesta quinta-feira, dia 24 de setembro, na reta final das Eleições 2026, foi marcado por um forte embate ideológico e administrativo. O confronto direto reuniu os candidatos Cid Gomes (PSB), Luizianne Lins (Rede), Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL). O grande destaque da noite ficou por conta da ofensiva de Cid e Luizianne contra os adversários alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, cobrando entregas reais para o estado e criticando a monotonia temática da oposição.
Durante o bloco de perguntas diretas, a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e o senador Cid Gomes confrontaram abertamente Capitão Wagner e Alcides Fernandes sobre a ausência de obras estruturantes no Ceará durante a gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022).
Luizianne subiu o tom e desafiou os concorrentes a citarem uma única benfeitoria de grande porte realizada pelo governo anterior no estado. “Eu pedi uma obra, e nem uma obra foi feita por Jair Bolsonaro aqui no Estado do Ceará”, disparou a candidata da Rede, que classificou aquele período federal como “bárbaro”. Cid Gomes endossou as críticas, reforçando que o grupo político adversário tenta esconder a falta de investimentos federais no Ceará sob uma cortina de fumaça retórica.
Em resposta às cobranças sobre infraestrutura, economia e saúde, Capitão Wagner e Alcides Fernandes concentraram reiteradamente seus discursos na pauta da segurança pública, recorrendo à fixação no tema das facções criminosas. A estratégia dos bolsonaristas foi criticada por Cid Gomes, que apontou oportunismo e demagogia na insistência de resumir os problemas do Ceará a um único assunto, sem apresentar propostas complexas para as demais áreas do desenvolvimento estadual.
Buscando esquivar-se da nacionalização do debate e do desgaste da imagem de Bolsonaro no Nordeste, Capitão Wagner argumentou que “o cearense não quer saber” de discussões externas entre Lula e Bolsonaro, tentando focar o debate na realidade local da violência urbana. No entanto, a insistência quase exclusiva no tema das facções deu o tom defensivo da dupla da oposição.
O debate serviu para consolidar o isolamento das narrativas. Enquanto Luizianne Lins buscou cravar o carimbo político afirmando que “aqui no Ceará, bolsonarista não se cria”, acusando Wagner e Alcides de tentarem esconder o apadrinhamento do senador Flávio Bolsonaro, a ala de oposição tentou martelar os índices de criminalidade como principal calcanhar de Aquiles do grupo governista.
A nove dias do pleito para as duas vagas disponíveis ao Senado, o debate expôs as estratégias claras de cada lado: o governismo cobrando o saldo prático da era Bolsonaro e a oposição apostando no medo e na segurança como únicos fios condutores de suas campanhas.

