Leilão de energia realizado pelo Governo Federal, com previsão de gerar mais de 5 mil empregos e atrair R$ 10 bilhões em investimentos, está ameaçado
O leilão de energia realizado pelo Governo Federal em março, com previsão de gerar mais de 5 mil empregos e atrair R$ 10 bilhões em investimentos para o Ceará, passou a ser alvo de questionamentos nos últimos dias por políticos e representantes do setor de energias renováveis. Uma eventual suspensão dos resultados do certame pode afetar diretamente projetos planejados para o Complexo do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza.
O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap) foi conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) após três anos de espera. A iniciativa tem como objetivo garantir o fornecimento contínuo de energia aos brasileiros, especialmente em períodos de maior demanda, horários de pico ou em cenários de instabilidade provocados por estiagens prolongadas e baixa geração de fontes primárias.
Ao todo, o governo contratou 19 GW de potência, principalmente a partir de usinas térmicas movidas a gás natural. O certame é considerado o maior leilão de energia da história do país e representa uma tentativa de estruturar uma política mais estável para o setor elétrico nacional, com investimentos de longo prazo e maior segurança no abastecimento.
Apesar da previsão de impactos econômicos positivos, o leilão tem sido contestado por representantes do setor de energias renováveis, que defendem maior participação na contratação de potência pelo Governo Federal.
O Complexo do Pecém deve ser um dos principais beneficiados pelo resultado do leilão. Um dos projetos contratados prevê a implantação de um hub de gás natural no Ceará, com capacidade para movimentar 18 milhões de m³ de gás natural por ano.
Para viabilizar a estrutura, o Porto do Pecém também deverá receber um novo equipamento portuário, chamado Píer Zero, com investimento estimado em R$ 430 milhões. A construção de gasodutos para abastecer as usinas também deve ampliar a infraestrutura energética do Estado e facilitar o acesso ao gás natural por indústrias cearenses.

