Evento de Flávio Bolsonaro no Conjunto Ceará termina em tumulto após ataques ao STF e silêncio sobre dinheiro pedido a Vorcaro
Um ato político do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, terminou em cenário de caos e empurra-empurra na noite desta terça-feira, dia 15 de setembro, no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza. O tumulto generalizado começou logo após o encerramento dos discursos. Apoiadores que tentavam seguir de perto o carro de som romperam as barreiras de contenção, derrubando grades de proteção. No tumulto, várias pessoas foram pisoteadas e caíram no chão. A assessoria dos candidatos e a Secretaria de Segurança Pública do Ceará foram procuradas, mas ainda não divulgaram um balanço oficial sobre feridos.
O evento contou com a participação de importantes lideranças regionais do partido, como o presidente do PL no Ceará, André Fernandes, e o candidato ao Senado Alcides Fernandes. A confusão escalou no momento em que uma carreata improvisada tentou avançar pelas ruas do bairro, gerando pânico entre os presentes que ficaram encurralados pela multidão.
Durante o seu pronunciamento no trio elétrico, Flávio Bolsonaro utilizou a atual crise institucional do Judiciário para focar seus ataques nos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador subiu o tom e defendeu abertamente a saída dos magistrados, acusando-os de formar uma rede de blindagem jurídica.
Em tom de promessa eleitoral, Flávio assegurou que, se eleito ao Palácio do Planalto, indicará cinco novos nomes para a Suprema Corte com perfil conservador, contrários ao aborto e às drogas, para reverter o que chamou de “interesses pessoais” dentro do tribunal.
Apesar do discurso incisivo focado na moralidade do Judiciário e no combate ao “sistema apodrecido”, o candidato bolsonarista evitou tocar em sua própria vulnerabilidade jurídica perante o STF. Flávio Bolsonaro ignorou os questionamentos de bastidores que ecoam em sua campanha sobre as denúncias de repasses milionários feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que se encontra preso.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam o parlamentar como “interlocutor direto” de Vorcaro. Áudios obtidos pelo portal The Intercept Brasil revelaram que o senador negociou e cobrou reiteradamente o financiamento de cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 122,7 milhões) do banqueiro para a produção do filme Dark Horse.
De acordo com relatórios da PF que tramitam no gabinete do ministro André Mendonça no STF, pelo menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62,9 milhões) foram efetivamente pagos. A suspeita principal da procuradoria é de que parte desses recursos tenha sido desviada por meio de esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção, servindo inclusive para custear despesas pessoais e a estadia de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.
O silêncio do candidato sobre o caso contrasta com a estratégia da oposição. A campanha de Lula já vem explorando intensamente o Caso Master e as conexões policiais de Flávio no horário eleitoral, o que transformou o palanque no Conjunto Ceará em um reflexo direto da acirrada e tensa disputa nacional.

